terça-feira, 4 de novembro de 2008

Mentalidade Escravocrata Moderna



Que liberdade? Que Escravidão?

Algumas pessoas não acreditam que a escravidão acabou e agem nas repartições públicas e privadas, ao se relacionarem com atendentes e recepcionistas como se fossem pessoas muito melhores que elas, como se estivessem num patamar superior na hierarquia legal. Mentalmente vivendo no Brasil do século XIX, descontando nesses cidadãos suas improvisões, depressões, loucuras...
Acham essas pessoas que são os senhores da terra, e nós os escravos aqui para servir-lhes inegavelmente, abdicando inclusive de nossa dignidade. Por mais que as vezes estejam de excelente humor, algumas pessoas que detém ou acreditam deter um certo poder financeiro ou influência social e econômica, sempre nos olham como se fóssemos seus servos. E não somos!
Temos nós que estamos do lado de cá dos balcões de atendimento de bancos e repartições públicas e privadas a obrigação de atender bem a todas as pessoas, procurando das formas mais hábeis e legais (no sentido de não contrariando as leis e bons costumes) suprir suas demandas por atendimento, desde a prestação de uma simples informação até o acolhimento de qualquer proposta de atendimento.
Mas nesses momentos essas pessoas devem lembrar que somos pessoas, e merecemos ser tratados com respeito, pois não estamos sob seu jugo paterno ou senhorial (comum no século XIX). Estamos a seu dispor, na medida do possível. Temos competências limitadas, não estamos aqui para receber ameaças e xingamentos, pois somos cidadãos também abrigados sob a égide da Constituição Federal de 1988, e temos o direito ao respeito da dignidade da pessoa humana.
Isso aconteceu comigo recentemente...
E aí pensei em tudo mas consegui enxergar no fundo uma resposta que me ajudou bastante:
Eu sou um sujeito de direitos e obrigações. Estou no começo da vida, e terei ainda muitas glórias e fracassos, mas verei ainda muitas glórias e fracassos dos outros...
Numa sala de atendimento as pessoas humildes, desprovidas do Estado para proteger e negociar seus interesses, ou apenas de dinheiro, como queiram, encontram em atendentes e recepcionistas um luz para seus problemas e isso nos faz pensar no papel importantíssimo que temos nesta sociedade.
Ao prestarmos o melhor atendimento possível a todos e em especial aos humildes, os quais não sabem as vezes nem dizer porque de fato estão ali, cumprimos um importante papel político, ajudando estas pessoas exercerem seus direitos e dando-lhes oportunidades de clarearem seus olhos e verem além do óbvio...

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