sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Faleceu Hoje José Pereira Neto (Drº Neto).

É com pesar que informo aos meus conterrâneos ausentes e presentes que faleceu nas primeiras horas de hoje aos 57 anos de idade o médico e pecuarista José Pereira Neto, mais conhecido entre nós como Drº Neto, filho do senhor "Juca de Moça".

Drº Neto, como era mais conhecido nasceu em 25/12/1952, foi um presente de natal para sua família. Viveu toda sua vida em São José da Laje, excetuando-se aí o período em que se dedicou aos estudos. Filho do "Seu Juca de Moça", pertencia a uma família de pecuaristas muito respeitada e conhecida por todos desde o início do século passado, seu pai ainda vivo, assim como ele representavam uma classe de pessoas conhecidas por sua firmeza de palavra e honra nos negócios em que eram partes.

Aqui em São José da Laje Drº Neto foi político, tendo assumido por 3 legislaturas a vaga de vereador no nosso parlamento municipal, seu sonho era ser prefeito em nossa cidade e devido a isso aliou-se com as mais diversas correntes políticas lajenses, recentemente fora candidato a vice-prefeito em 2004 pelo PT na chapa encabeçada por Marcio Lyra (Dudui), naquela eleição derrotado pelo ex-prefeito Paulo Roberto, o Neno da Laje.

Como retaliação, a portaria de nº 1, do Gabinete do Prefeito em 01/01/2005 foi a devolução do médico José Pereira Neto (Drº Neto) ao governo do Estado de Alagoas (onde era funcionário), sinceramente acredito que o Neno não tem muito o que se orgulhar deste ato, uma vez que se mostrou um mau ganhador, tanto quanto os maus perdedores que existem na política brasileira.

Devido a isso o médico Drº Neto, ultimamente desempenhava suas funções na vizinha de cidade de Ibateguara, acredito também em sua casa como é natural aos médicos aqui residentes quando procurados pelos lajenses.

Trabalhamos Juntos

Em 2000, o então aliado do prefeito Neno (gestão 1997-2000) Drº Neto substituiu a Drª Maria do Socorro Teotônio (Drª Maria) a frente da Secretaria Municipal de São José da Laje.

Neste momento foram entregues equipamentos tais como balanças e mochilas além da apresentação do novo secretário.

Mais tarde, já durante a administração de Luiz Daniel (2001-2003) e Dudui (2003-2004) trabalhamos na Equipe de Saúde da Família do Centro 2, cuja sede é até hoje na Av. Arlinda Véras. Como médico da equipe de saúde já havíamos trabalhado antes durante alguns meses na Equipe de Saúde da Família do Juriti, mas a experiência foi maior desta última vez.

Casos e Causos

Drº Neto era uma figura alegre mas ao mesmo tempo firme. Em alguns momentos entre uma visita e outra conversava bastante conosco (eu era então agente de saúde).

Lembro-me que em um dos seus causos e casos ele contava que estudava em Maceió, numa época em que os rapazes "estudados" eram muito cobiçados para trabalharem no comércio, as pessoas com bons estudos eram poucas na época. Seu pai o havia enviado para a capital tão somente para estudar e voltar de lá "Doutor". Drº Neto jovem, resolveu, mesmo com a ajuda que seu pai lhe mandava, arrumar um emprego. Disse-me ele que um dia foi surpreendido por "Seu Juca" no seu posto de trabalho, furioso por encontrá-lo trabalhando quando deveria estar dedicado exclusivamente aos estudos, segundo ele seu pai lhe disse: "Quer trabalhar? Vamos lá pra fazenda! Eu mandei você aqui para ser Doutor não foi pra trabalhar de empregado numa loja não!".

Seu Juca deve ter ficado muito feliz porque seu filho amado tornara-se realmente um Doutor...

E é pra isso que os pais trabalham mesmo não é? Dar aos filhos a melhor educação possível!

Paixão pela Terra!

Drº Neto era um homem de vida simples apesar de médico e pecuarista não largava mão de um bom cavalo e de trabalhar todos os dias junto dos seus empregados nas suas propriedades. Quando arrendatário da fazenda hoje do Senhor Reginaldo Batista, na entrada da cidade, era possível vê-lo as 6 horas da manhã "na lida" diária da fazenda, era um verdadeiro "Doutor Cowboy".

Uma mensagem aos seus familiares

Recebi a triste notícia de que estava doente do próprio Drº Neto. Sempre animado o vi chegar ao meu local de trabalho triste, seu semblante não era o de costume, então cumprimentei-o e me disse que estava numa grande batalha. Falou-me de sua luta não como cliente da instituição financeira onde trabalho mas como o colega do posto de saúde. Fiquei triste mas não demonstrei, apertei-lhe a mão e disse que venceria.

Bom, hoje dia 20 de novembro estava eu chegando a agência do Banco do Brasil em Colônia de Leopoldina, por volta das 8 horas quando o colega conterrâneo nosso "Betão" falou-me de sua partida aos braços do Senhor Deus. Senti que a nossa Laje perdeu um grande cidadão, sem demagogia alguma. Liguei para meu ex-chefe, já aposentado e comuniquei o fato, lamentou que por estar no Recife não poderia vir a seu velório. Eu fui mas não tive coragem de entrar e vê-lo como eu estarei um dia, no sono profundo do descanso eterno, e como vi gente que eu amava, não consigo ver um amigo partir e não saber o que dizer para confortar seus familiares, sinto-me impotente. Já perdi um irmão e sei a dor que sentem neste momento. Mas as pessoas que amamos são imortais, podem viver para sempre em nossos corações. Nossas boas lembranças os farão viver para sempre.

A fé em Deus confortará a todos.

Fica aqui minha homenagem ao amigo que partiu aos braços do Senhor Deus Jeová!

Um comentário:

DASLAN MELO LIMA disse...

Conheci o Neto, conterrâneo-contemporâneo, e lamento sua morte.
O que nos consola é saber, como disse Camões, que: "Quem morreu não morreu. Partiu primeiro."

DEUS convocou o Dr. Neto para uma nova missão em outra dimensão.

Transcrevi sua reportagem para o meu blog PASSARELA CULTURAL, secção "De Alagoas para o Mundo".

Um abraço, direto do final de tarde pernambucano de Timbaúba.

Daslan Melo Lima