quarta-feira, 3 de junho de 2009

Em versos, promotor denuncia injustiça contra "ladrões de coco" - vale conferir

Como poderia deixar de publicar em meu blog um post do Ricardo Mota, com o parecer em ritmo de cordel, do promotor Flavio Gomes da Costa, da comarca de Porto de Pedras acerca da prisão de 2 "ladrões de coco".

SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA COMARCA DE PORTO DE PEDRAS Autos nº 031.08.500055-9

( O texto, abaixo, é de autoria do promotor Fávio Gomes, de Porto de Pedras. É um parecer em cordel, onde ele denuncia a injustiça social na Justiça formal. )

MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE ALAGOASPROCURADORIA GERAL DE JUSTIÇA EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA COMARCA DE PORTO DE PEDRAS Autos nº 031.08.500055-9

Sr. Julgador;

A vida é tão ingrata, e o pior quando dá muitas vezes é injusta no ato de cobrar. O processo em curso é mais um dos casos que somente se quer punir os desamparados, que pelo peso que se dá ao fato fica sujeito a opressão do Estado.

A estória é bem simples que da dó até de falar, pegaram três cabras tirando coco e a recomendação da policia era cadeia já!

E assim foi, por conta do acontecido, ficaram dois deles quase dois meses detidos.

E o caso não terminou não, e o valor dos cocos que os acusados levarão era sem expressão.

No todo foi sessenta e nove reais, na divisão, caberia a cada um valor tão insignificante que é até uma injustiça trata-los como meliantes.

O pior, é o que a gente vê no meio político, nas rodas das altas autoridades, onde se mete a mão e com vontade.

Os acusados, coitados, desempregados, sem condição de ganhar o pão, a custa de tudo isso passaram grande privação.

Ficaram presos, mesmo sendo primários, e ainda tiveram que levar a fama de ladrões e homens safados .

Interessante, o que se vê é que os verdadeiros ladrões do erário, que metem a mão em mais de um milhão, são tratados de homens de bem e pessoas da mais alta distinção.

Um dos acusados, na policia falou, “eu levei os coco seu doutor”.

"Mas seu doutor, estou desempregado, e com três crias para dar de comer, na verdade o que eu queria era fazer os meninos parar de sofrer."

Enquanto o homem do colarinho branco, quando é pego metendo a mão, grita logo, "eita seu juiz é um absurdo tão me chamando de ladrão!"

Os acusados por conta dos cocos, confessaram a condição de ter metido a mão, mas eu pergunto seu Juiz, é motivo para prisão?

Sessenta e nove reais, quase dois meses de prisão, será que precisa de mais aflição?

Para corrigir uma injustiça, cabe ao defensor da lei, dizer, senhor juiz vamos então resolver, reconheça a insignificância e diga que esse fato não pode ter importância.

Agindo assim, justiça vai fazer e dessa forma, fica o desejo desse humilde promotor, que um dia coloquemos nem que seja por um dia na prisão os que metem a mão no dinheiro que pertence aos meninos sofredores da nossa nação.

É o parecer. 03/06/09

Flávio Gomes da Costa -Promotor de Justiça

Fonte: Blog do Ricardo Mota