domingo, 28 de novembro de 2010

Entregue a ninguém.

Em 1989 eu fui a Salvador pela primeira vez. Minha tia levou-me a conhecer a capital do Axé. Passamos quase 1 mês lá, ao voltarmos, desde o momento em cruzamos a ponte que liga Porto Real do Colégio a Propriá meu coração palpitava de emoção, sonhando acordado com o dia de rever meus avós, meus pais, meus irmãos e também a cidadezinha que eu era acostumado, minha São José da Laje.

Voltei lá em 1994, desta vez com quase 13 anos, desta vez fui sozinho. Eu era grande e gordo como sempre fui, não me perguntaram a idade, simplesmente entrei no ônibus e no amanhecer do dia estava chegando na rodoviária de Salvador. Naquele tempo nem se pensava em viagem aérea, era muito cara. Desta vez passei lá menos de 2 semanas, voltei com a mesma saudade de sempre.

Na minha lembrança São José da Laje era uma cidade pequena, bonita por natureza, tinha os meios fios de suas ruas todos pintados de cal, as árvores, as amendoeiras com os caules pintados da mesma cal que o cais beirando toda a cidade, separando o rio Canhoto da avenida Arlinda Véras. A noite a iluminação com lâmpadas incandescentes dava tom amarelado às ruas calçadas. Era lindo ver a Laje a noite e saudoso pensar nela quando estávamos longe. Regressávamos por dois grandes motivos: a saudade dos parentes que aqui ficavam e a saudade do acochego que só a nossa cidadezinha tinha.

A Laje era uma cidade pequena que tinha quadras de esporte na principal avenida da cidade, tinha banco, hospital, posto de saúde, um campo velho onde se armavam os circos que aqui chegavam, um parque de vaquejada (eu só vi uma, de longe, a falta de “dindin” não nos deixava chegar perto), a Laje tinha até um Estádio de Futebol, não, não era um Maracanã e nem chegava a ser um Rei Pelé, mas tinha, existia. Até eu que não sou amante do futebol achava aquilo importante, via meus colegas entusiasmados contando daquilo aos outros.

A Laje era e ainda é uma cidade pequena mas naquele mundo infantil que eu vivia tinha de tudo. Até o que era ruim ou não muito bom era da Laje, não era tão prejudicial. Dava até pra se divertir. Quantas vezes não passei uma tarde jogando “chimbra” ou “pinhão” (a gente falava assim – escrevo assim) na praça Clarício Valença antes da reforma no governo Luiz Daniel e nas ruas sem calçamento? É a Laje era charmosa!

E hoje até o campo de futebol tem desaparecido, até eu, pouco amante desse esporte nacionalmente adotado como principal entre nós brasileiros fico envergonhado de ver o muro do Estádio Bertulinão de fato, no chão. Como se não fosse um bem público, como se não importasse a ninguém. Até eu se fosse prefeito saberia que aquilo é uma vergonha, mas como sabemos, tal descaso não aparece somente naquele lugar.

Aqui onde moro, Praça Osman Costa Pino, mais conhecida como praça do Forúm ontem teve até baile funk ao som de celular (o problema não era o som era a quase transa dos participantes mesmo, ao ar livre). Aqui temos idosos e crianças morando na vizinhança, numa “gandaia” pública mantida com a omissão do poder público que não se preocupa sequer, a mais de 2 anos de instalar uma lâmpada neste lugar, quanto mais de manter a ordem.

A escuridão que toma conta da praça devido ausência de lâmpadas nos postes que aqui existem transformam esta praça num quase motel ao ar livre, em frente ao Forum da Justiça Estadual. Ontem um grupo de jovens se ralava e arreganhava de frente a praça ao som do batidão do funk carioca.

Até pensei em pedir para  a PM comparecer mas sinceramente, havia esquecido que a Cia da PM-AL aqui na Laje desde a enchente de 18/06/2010 está sem o telefone público funcionado, o qual lá estava instalado antes.

E assim São José da Laje segue abandonada por tudo e por todos. Somente sentindo o domínio do mau assolando as vidas jovens que enamoradas pelo vício ou pelo tráfico, na busca de dinheiro fácil, deitam ao chão ao som de disparos de armas de fogo. Quem tem haver com isso? Parece que ninguém!

Os blogs que noticiam fatos sobre a cidade nada mencionam sobre isso. Parece que nada tem acontecido. A Laje segue assim, seguindo seu rumo até 2012 quando levantar-se-ão aproveitadores e falsos salvadores da pátria em defesa de nosso povo, no único intuito de ganhar nosso voto e mantê-los no poder reinando sobre os milhões da receita pública municipal. Todo maloqueiro na Laje hoje quer ser vereador enquanto que os cidadãos de bem são acuados a manterem-se afastados da política sobre a concepção que política é coisa deles.

A maioria dos cidadãos segue creditando ou debitando todas as mazelas da sociedade lajense aos grupos políticos representados por Neno e Dudui enquanto não reconhecem que o fortalecimento desses dois grupos é um sintoma de sua própria doença – a omissão. Tem gente esperando Dudui sair pra entrar e mamar e outros tentando mantê-lo no poder para não perder seus privilégios.

E a maioria dos que aparecem tentando ser algum tipo de esperança não passam de salteadores, gente que não administra bem nem a própria vida e que não seria cotado nem pra ser gerente de cabaré, porque até se fosse galinha “bebia os ovos”, quanto mais passar a mão no que é “público”.

Aqui em cada esquina tem uma Igreja e não as vemos envangelizando, em cada bairro uma Associação que só funciona se alguém quiser fazê-la sobreviver, porque aí aparecem Prefeito, vice, secretários, xeleléus (sei nem como se escreve isso) e todo tipo de gente tentando cercear o direito legítimo do cidadão de se associar.

Os partidos políticos são todos legendas de aluguel, sem militância alguma, só aparecem nas campanhas eleitorais. A Câmara Municipal de Vereadores, desta nem podemos falar, tem sua maioria de ocupantes comprometidos com tudo, exceto com o povo. O poder público é o único lugar onde se ganha mesmo que não se mostre resultados, é uma caixa vazia que só existe para cumprir a letra constitucional. Não conheço uma ação da Câmara em prol dos lajenses e nem um projeto daqueles edis em prol de nossa juventude.

Essa foi a Laje que sonhamos? Pois bem, é a que ajudamos a construir!

5 comentários:

Anônimo disse...

Parabéns, brilhante texto, tenho certeza que este tbm é o pensamento da maioria dos lajenses. Um mix sentimental entre saudade e vergonha.

Antonio Neto disse...

Caros leitores, como sempre tenho dito não sou vinculado a nenhum grupo político. O meu blog é pessoal e é onde exponho minhas opiniões e reflexões. Se por acaso alguém se sentir ofendido, argumente, seja homem e se identifique. Não sou nem pretendo ser candidato a nada, quanto menos a prefeito como sugeriu um "Perú de Político" que me escreveu recentemnte, anonimamente. Só quero que me digam quem são os homens de bem e o que têm feito pela Laje durante os últimos 20 anos. Eu faço a minha parte, não voto em quem compra votos! Quem disse a algum idiota desavisado que o dinheiro público é de A ou de B? É meu, é seu, é nosso, enquanto alguns babam os ovos de políticos a maioria trabalha muito pra sustentar as farras com dinheiro público. O pior analfabeto é o analfabeto político. E lembre-se: A Rolha vai no buraco do poço!
Caros leitores, comentários anônimos não serão mais aceitos neste blog!

Zé Maria disse...

Neto

Eu só não concordo com o que vc não falou...
Da proxima vez você fala para que eu volte a concordar com tudo...
Alias, como eu sou um admirador seu, concordo com tudo que você fala, até de mim...


Parabéns pela maravilhosa postagem...

JOSÉ MARIA DE MATTOS
Arquiteto e Urbanista

Ednaldo disse...

Parabéns por suas palavras meu amigo. vc me fez lembrar emocionado os momentos que passamos em nossa pré-adolescência na praça Claricio Valença quando brincavamos de "chimbra" e de "pinhão" após as aulas na Esc. Mun. Presidente Médici, bons tempos aqueles. Ednaldo Silva (Gêminho)

Antonio Neto disse...

Justamente Ednaldo, eu quando escrevi estava lembrando de você, o Val, Leandro e os outros de nossa amada 3ª e 4ªs séries! Peço que adicione seu endereço de e-mail no feed do blog, assim quando tiver uma nova publicação você estará entre os primeiros que a lerá.