terça-feira, 1 de novembro de 2011

O futuro da Laje

Estará o futuro de São José da Laje entregue em mãos duvidosas e sem lastro moral para dizerem-se: “Esperança dos lajenses?”

 

Dia 30 de novembro completarei 2 anos que não estou dia a dia na minha São José da Laje.

Lutei bastante mas tive que buscar minha família e hoje estamos juntos, todos aqui em Colônia Leopoldina.

Foi uma mudança e tanto!

Mas sempre que volto a Laje para visitar meus pais – diga-se quase todos os fins de semana – tenho a sensação de estar numa cidade estranha do ponto de vista que começo a ver a Laje com os olhos de quem está de fora e me pergunto se não fui covarde por não fazer algo pela minha terra.

Sou dos anos 80 e na minha época fazer tudo para não prejudicar ou não se prejudicar era sinônimo de cidadania, hoje este conceito mudou bastante.

Quando penso em inscrever-me num concurso público avalio se tenho condições de me submeter ao processo avaliativo. Muita gente que conheço faz isso. Checa-se a escolaridade exigida, os conhecimentos necessários para obter sucesso na prova, as devidas habilitações legais, etc.

No entanto a regra acima não se aplica a imersão na política. Nesta o problema não é a avaliação e sim o que se avalia.

Loucura, vejo essa gente se dizendo representante da juventude lajense… Uma juventude irresponsável que nunca cresceu? E o pior é que essa gente vem com um marketing incrível querendo ocupar um lugar na Câmara de Vereadores, logo lá, onde deveriam estar representantes das melhores mentes lajenses.

Tanta gente boa na Laje e nós aceitaremos ser representados por gente irresponsável?

“Um dia perguntei a um amigo recém eleito vereador quais seriam seus projetos para os próximos 4 anos? Ele disse que ia aprendendo depois, pegando jeito.”

Em São José da Laje conheci muita gente boa, Professores, Médicos, Operários da Serra Grande, Alunos incríveis que estudaram comigo nas escolas lajenses, Servidores Públicos… Durante o tempo que trabalhei na Prefeitura, de 1999 a 2005 vi muita gente honesta, decente, Agentes de Saúde dotados de senso cívico e de um querer fazer pelo bem dos outros que ia além da esperança salarial do fim do mês. Eu tive colegas incríveis durante o tempo que trabalhei na Laje!

O que dói é não saber a resposta para uma simples pergunta: Como é que permitimos que os melhores cidadãos lajenses afastem-se da vida política de nossa cidade?

Que mecanismos ideológicos são estes que afastam os melhores cidadãos das coisas da cidade?

Talvez sejamos um exemplo da educação introspectiva de fins do século XX, e estes mais recentes, forjados ou mais suscetíveis aos avanços da educação do século XXI são os que conseguem pensar em nos fazer acreditar no que nem eles mesmo acreditam, que são capazes de trazer algum ganho social a comunidade lajense!

Mas tem uma explicação para tudo: A baixa estima!

E a baixa estima será assunto de um próximo post!

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

No início...

No início...

Lembro ainda do meu aniversário de 3 anos e antes que pensem ser mentira tal lembrança peço que avaliem porque tal lembrança só existe por um motivo bem forte: foi a única festa de aniversário que tive.

Sim é verdade tenho comigo fotos daquele dia, onde estão meus avós maternos, meu tio materno mais velho, meu pai ainda com rosto de menino – aos 23 anos, hoje ele tem 50 – e minha mãe mais jovem ainda, a poucos meses de ter dado a luz a meu irmão, o qual perdemos em 1995 com 12 anos de idade quando foi recolhido pelo Senhor Jesus Cristo ao sono eterno.

Mas as fotos são como um filme. Lembro-me do choro do meu irmão, ele contava uns 6 meses de vida e o tumulto de gente lá em casa o assustava, ele chorava tanto que não conseguíram uma foto dele comigo. Hoje minha filha com 9 meses tem mais fotos dela com meu filho mais velho do que eu com meu irmão, aliás, eu só tenho uma foto com meu irmão.

Atualmente fotografamos a partir de câmeras embutidas em celulares, relógios, câmeras digitais que não queimam o filme, etc. Mas nos idos de 1983 “retrato” era uma coisa cara e o momento de ser fotografado era uma coisa solene. Gastava-se mais como fotos naquele tempo do que com os refrigerantes de uma festa para crianças.

Lembro-me de minha camisa de tecido sintético, azul marinho, quente e provocadora de um calor terrível. Eu já era gordinho não sei como meu pai aguentou ficar comigo no braço tanto tempo durante a festa.

Depois daquele dia eu fiquei anos esperando a próxima, que nunca vinha. Aquela foi a única tão brilhante. Aos 6 anos, chateado por não ter encontrado minha festa no dia do aniversário minha mãe confessou que aquela havia acontecido por patrocínio do meu avô, que já aposentado ainda limpava cana e cortava, brocava mato e mantinha um “roçado” nas terras da família Martins (diga-se Paulo Gié). Então juntando uns cruzeiros (foi a primeira moeda que conheci) fez a festa para seu único neto que conhecia.

Ser pobre nunca foi fácil, nem será. No entanto é uma oportunidade de aprender lições que devemos agradecer a Deus a vida inteira!

Minha única festa de aniversário e as outras que não aconteceram ensinaram-me que não podemos ter tudo que desejamos mas ainda podemos ser felizes e comemorar com abraços e sorrisos tudo que Deus nos deu!