quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

No início...

No início...

Lembro ainda do meu aniversário de 3 anos e antes que pensem ser mentira tal lembrança peço que avaliem porque tal lembrança só existe por um motivo bem forte: foi a única festa de aniversário que tive.

Sim é verdade tenho comigo fotos daquele dia, onde estão meus avós maternos, meu tio materno mais velho, meu pai ainda com rosto de menino – aos 23 anos, hoje ele tem 50 – e minha mãe mais jovem ainda, a poucos meses de ter dado a luz a meu irmão, o qual perdemos em 1995 com 12 anos de idade quando foi recolhido pelo Senhor Jesus Cristo ao sono eterno.

Mas as fotos são como um filme. Lembro-me do choro do meu irmão, ele contava uns 6 meses de vida e o tumulto de gente lá em casa o assustava, ele chorava tanto que não conseguíram uma foto dele comigo. Hoje minha filha com 9 meses tem mais fotos dela com meu filho mais velho do que eu com meu irmão, aliás, eu só tenho uma foto com meu irmão.

Atualmente fotografamos a partir de câmeras embutidas em celulares, relógios, câmeras digitais que não queimam o filme, etc. Mas nos idos de 1983 “retrato” era uma coisa cara e o momento de ser fotografado era uma coisa solene. Gastava-se mais como fotos naquele tempo do que com os refrigerantes de uma festa para crianças.

Lembro-me de minha camisa de tecido sintético, azul marinho, quente e provocadora de um calor terrível. Eu já era gordinho não sei como meu pai aguentou ficar comigo no braço tanto tempo durante a festa.

Depois daquele dia eu fiquei anos esperando a próxima, que nunca vinha. Aquela foi a única tão brilhante. Aos 6 anos, chateado por não ter encontrado minha festa no dia do aniversário minha mãe confessou que aquela havia acontecido por patrocínio do meu avô, que já aposentado ainda limpava cana e cortava, brocava mato e mantinha um “roçado” nas terras da família Martins (diga-se Paulo Gié). Então juntando uns cruzeiros (foi a primeira moeda que conheci) fez a festa para seu único neto que conhecia.

Ser pobre nunca foi fácil, nem será. No entanto é uma oportunidade de aprender lições que devemos agradecer a Deus a vida inteira!

Minha única festa de aniversário e as outras que não aconteceram ensinaram-me que não podemos ter tudo que desejamos mas ainda podemos ser felizes e comemorar com abraços e sorrisos tudo que Deus nos deu!

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