segunda-feira, 29 de outubro de 2012

PEC 35/2012 - A libertação dos pequenos municípios?

Proposta de emenda  a constituição tenta acabar com a farra do dinheiro público em municípios com menos de 50 mil habitantes e ainda limita os gastos com o poder legislativo municipal nestes e em municípios maiores.

CONCURSO-SENADO-FEDERAL-2012

Tramita no Senado Federal proposta de emenda a constituição tratando da vedação a subsídios pagos a vereadores de municípios com menos de 50 mil habitantes.

Seria a libertação dos pequenos municípios ou somente uma forma de flagilizar ainda mais as instituições políticas nessas cidades?

O fato é que fora os parentes de vereadores quase  ninguém nas pequenas cidades é capaz de apontar algum ato da vereança contemporânea em conformidade com suas atribuições constitucionais. Mais fácil é encontrar vereadores “fazendo caridade” do que fiscalizando atos e contas do poder executivo municipal, além do que a maioria dos eleitos desconhece que possui, ou ao menos deveria possuir competência e capacidade de apresentar projetos de lei que melhorassem a assistência a população.

A imensa maioria dos vereadores eleitos faz vistas grossas aos desmandos e desvios dos prefeitos quando não são beneficiados por estes, em troca ocupam com seus tentáculos políticos lugares de destaque na administração municipal, interferindo nos processos e se beneficiando da máquina estatal para sua auto promoção e proveito próprios.

Outro ponto que chama atenção na proposta é um trecho de sua justificativa: “ A iniciativa visa a conferir um novo papel ao trabalho dos vereadores desses pequenos municípios, que serão considerados agentes honoríficos e passarão a assumir esse cargo eletivo em razão de sua condição cívica, de sua honorabilidade ou de sua capacidade profissional. Portanto, com a adoção da medida proposta, pretende-se selecionar candidatos comprometidos com a ética, o interese público e o desenvolvimento local.

Ademais, é cedido que a imensa maioria das Câmaras Municipais em especial as dos Municípios com menos de 50 mil habitantes, costuma reunir-se apenas cerca de duas a três vezes por mês, o que viabiliza a manutenção da profissão permanente por parte dos respctivos parlamentares. Não obstante, frequentemente os meios de comunicação noticial que municípios pequenos remuneram seus parlamentares com subsídios altíssimos”.

Sou a favor da PEC 35-2012, não por achar que os nossos vereadores não devem ter salários mas porque é preciso moralizar o parlamento municipal e enquanto em cidades com 20 ou 25 mil habitantes alguém precisar gastar R$ 200 mil pra garantir sua eleição essas cidades não terão desenvolvimento algum.

Outra coisa nesse reino da picaretagem que é o nosso país e nossas cidades vão inventar mais cedo ou mais tarde outras formas de serem remunerados, pra isso existem os laranjas!

Veja a PEC na íntegra clicando aqui.

 

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

FUNCIONÁRIOS DO BB ENTRAM EM GREVE!

Sem avanço importante, só resta aos bancários do BB irem à greve

17 de setembro de 2012

titCampanhaNacional2012

Os funcionários do Banco do Brasil terão de fazer uma forte greve ao lado da categoria para conquistar avanços tanto na mesa geral de negociação com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) como em relação às principais cláusulas da pauta de reivindicações específicas com a instituição financeira federal.

Na rodada de negociação específica realizada na tarde de sexta-feira 14, em São Paulo, o BB manteve a postura intransigente e não apresentou proposta para o Plano de Carreira e Remuneração (PCR), para a jornada de seis horas dos comissionados nem para o Plano de Comissões (PC). E ainda afirmaram que não irão assinar o instrumento de combate ao assédio moral assegurado na Convenção Coletiva dos Bancários assinada com a Fenaban.

"Quanto ao banco dizer que não vai assinar a cláusula de combate ao assédio moral da Fenaban e vai seguir sendo o único banco fora deste acordo, também avisamos que as entidades sindicais não renovarão a cláusula dos comitês de ética, até mesmo porque eles nunca funcionaram", afirma William Mendes, diretor de Formação da Contraf-CUT e coordenador da Comissão de Empresa dos Funcionários do BB.

"A direção do BB está empurrando os funcionários para a greve ao repetir a postura intransigente dos anos anteriores. Já faz um mês e meio que entregamos nossa pauta específica de reivindicações e não é admissível que até agora não tenha ainda apresentado uma proposta global para as nossas demandas", critica o dirigente sindical.

Para evitar que haja desconfianças relativas a não cumprimento de acordos feitos na mesa de negociação, os representantes do BB disseram que "todas as propostas que forem apresentadas estarão escritas no acordo".

Poucos avanços

Na reunião de sexta-feira, os representantes do BB se limitaram a apresentar três propostas: redução da trava de remoção dos funcionários da Central de Atendimento (CABB) de 24 para 18 meses, inclusão de padrasto, madrasta e enteados para ausências autorizadas e não abrir mão da comissão para concorrer para remoção automática para escriturários em outras dependências do banco.

A negociadora do banco afirmou que há outras propostas sendo analisadas e que só serão apresentadas quando forem confirmadas pela direção da empresa.

"Consideramos as três propostas positivas, mas insuficientes em função do conjunto de propostas que entregamos ao banco", destaca William.

O coordenador da Comissão de Empresa apresentou aos representantes do BB um abaixo-assinado de bancários da CABB de São Paulo, reivindicando a comissão de 55% sobre o piso do BB. O documeno foi entregue pelos trabalhadores à presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região, Juvandia Moreira, na assembleia dos bancários realizada na última quarta-feira 12.

"Temos cobrado da empresa que atenda a essas e outras exigências dos funcionários da CABB, como o fim da trava e a equiparação dos atendentes A e B", conclui o dirigente sindical.

Fonte: Contraf-CUT, com Seeb São Paulo

terça-feira, 24 de julho de 2012

Democracia Usurpada

Como um país que almeja tornar-se uma democracia moderna permite que seus cidadãos em pleno século XXI gozem de condições sociais tão humilhantes e um sistema educacional tão pobre quanto opressor?

Faz menos de 4 anos que numa viagem entre União dos Palmares e São José da Laje escutei dois senhores conversando sobre seus filhos. Um deles disse que seu caçula já “havia tirado seus documentos” na última eleição enquanto o outro argumentava dizendo que o seu tiraria nesta. Era véspera de eleição municipal, em pleno 2008.

Atualmente, 4 anos depois quase nada mudou. Nem poderia em tão pouco tempo.

O problema é que eu ingressei aos 7 anos de idade no sistema público de ensino em 1988 e em 2001 ingressei na Universidade a cursar a Licenciatura em História. Nas disciplinas ligadas a área de educação naturais no curso pode-se perceber que nossos dirigentes tem um plano terrível e  promissor  de “imbecialização” da população brasileira. No único intuito de manter a dominação da minoria sobre a imensa maioria dos brasileiros.

O pior é que quando contrariando todos entraves sociais, econômicos e políticos um integrante da classe dominada, um excluído social dos melhores serviços públicos e privados postos a serviço da sociedade brasileira, que pode pagar ou requerer seus direitos, insurge e aparece, fazendo parte de nossa classe política dirigente, contamina-se, trai seus pares, esquece de sua existência de exclusão social e política até então e passa a agir e adotar uma ética semelhante a da classe que tanto lhe usurpara a ascensão social e por assim dizer econômica.

Os Direitos Sociais e por conseguinte Humanos das classes sociais menos favorecidas são postos de lado a cada legislatura que se inicia, salvo raras exceções mas lembrados em cada palanque que se levanta nas campanhas que as antecedem.

Os discursos, os slogans, as cores, as paródias ou modernamente os “jingles” são a cara de uma propaganda nojenta, mentirosa, imunda e digna tão somente de análises humorísticas.

São em alguns casos pessoas conservadoras anunciando-se revolucionárias, mentirosas esbravejando-se como dignas de crédito e os “maiores absurdos” são os que se dizem competentes.

Adjetivos como credibilidade, competência, eficiência e honestidade são empregados genericamente aliados a nomes de candidatos no intuito de atrelarem-se a esses rótulos, mesmo que o conteúdo seja tanto mais inversamente proporcional.

Outros apresentam planos de governo que estão longe de serem um planejamento de como vão dirigir os municípios, porque eles mesmos não o sabem. A intenção não é esta. Possivelmente necessitam apenas preencher algum requisito da justiça eleitoral.

As músicas que são escolhidas pelos candidatos são temas conhecidos do povão, da massa de manobra e eleitora de inelegíveis.  O problema não são as paródias que eu também acho bastante cômicas, o problema é o que se atesta com isso: que música ruim, literatura ruim, cultura usurpada é só o começo, é a porta de entrada pra outras coisas que não prestam virem a reboque.

Os números escolhidos pelos candidatos e suas legendas são a assinatura final do emitente da mensagem, direcionada a um público de eleitores quase inocentes. São sequencias numéricas que induzem o eleitor a votar mecanicamente na urna eletrônica, mais voltados a induzir do que a facilitar o voto.

A elite política mesmo nos pequenos municípios não abre mão de exercer o poder, sabendo que diretamente não se legitima o exerce por meio de representantes das classes dominadas, os quais uma vez cooptados e eleitos têm suas necessidades históricas saciadas com os benefícios do poder político e esquecem os anos de aflição, consequentemente seus pares continuam aglomerando-se em filas no atendimento médico, odontológico, tendo as piores escolas, as piores estradas e os piores meios de comunicação e transporte.

Por isso vivemos uma Democracia Usurpada, roubada na sua essência. Uma democracia cantada e cantarolada mas falsa porque não existem eleições, o que existem são referendos, onde os dominadores escolhem e os dominados referendam a escolha deles. Tudo num plano perfeito de dominação social que inclui negligência na formação dos professores, na existência de boas escolas, em meios de comunicação que apaziguam a população, deixando-a dócil e insensível a situação social do país, não é a toa que todos os programas do domingo são em sua essência cópias dos demais – são apenas adestradores da massa.

Você não concorda? Então, sinceramente você acredita mesmo que nos próximos 4 anos, a partir de 1º de janeiro de 2013 haverá uma educação de qualidade no seu município? Que poderá realizar uma consulta médica no dia que precisar? Que na sua cidade você vai conseguir um tratamento odontológico no posto de saúde do bairro?

Se você acredita… Seria excelente que meu descrédito nisso fosse realidade mas…

 

 

 

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domingo, 4 de março de 2012

A Máquina de Escrever e o Computador

São José da Laje, AL

Churrascaria Boa Viagem, BR 104 – 25 de Fevereiro de 2012.

Por volta dos 12 anos de idade ainda era costume na minha cidade um coisa que não pertence mais ao ideal de formação profissional da juventude atual. Tratava-se de um momento sonhado por muitos e realizados por poucos, somente aqueles mais abastados financeiramente tinham o desejo realizado de frequentar as aulas do curso de datilografia da Escola Santa Quitéria, mantido por Dona Quiterinha na rua Prefeito Antonio Ferreira e que ocupava toda a sala da sua casa.

Nossa como eram concorridas aquelas aulas. As vezes faltavam vagas em todos os horários e alguns postulantes ficavam a espreita esperando alguma desistência.

O que fascinava tanto na máquina de escrever?

A relação dela com as pessoas, eu acredito.

Onde haviam máquinas de escrever? Nas grandes e médias empresas, em algumas repartições públicas, em poucas escolas públicas e o pior: em nenhuma desses lugares uma criança poderia mexer numa máquina daquelas!

A relação entre o homem e a máquina de escrever era quase como o desposamento (ato de tornar alguém sua esposa). Esperava-se uma certa idade para uma pessoa pudesse ter a oportunidade de praticar e com isso adquirir habilidade necessária no uso da máquina de escrever.

As empresas só deixavam alguém tocá-las quando na contratação houvesse o diploma que certificasse a pessoa naquilo.

Na Escola Santa Quitéria as aulas eram repetitivas mas eram essenciais para adquirir a habilidade com o teclado uma vez que se tinha que aprender controlar a força e ao mesmo tempo a sensibilidade no uso das teclas, pois algumas máquinas eram “pesadas” e outras bem “leves”.

maquina de escrever

As minhas aulas não foram ministradas pela Dona Quiterinha e sim por sua filha Jane Rose a qual até hoje é excelente datilográfa e adaptou-se tão bem aos tempos modernos do computador pessoal. É muito procurada por todos na cidade com necessidade de “digitação” dos trabalhos acadêmicos. Pouquíssimas pessoas têm a habilidade da Jane Rose com o teclado, eu não conheço ninguém só disse pouquíssimas para não ser injusto com alguns dedográfos que existem por aqui.

O fato é que as pessoas desejavam adquirir uma máquina de escrever como se desejava um carro, uma moto etc. Atualmente a maioria dos profissionais envolvidos com atividades que exijam escrita e leitura possuem ou podem adquirir um computador, a máquina não. Era cara!

Mas eu consegui comprar uma!

Praxis

Comprei-a em 12 vezes com juros altíssimos nas Lojas Arapuã, ficou quase uns R$ 600,00 lá pelos idos de 98 ou 99. Mas a minha não era como as antigas Remington, era moderna, elegante, eletrônica, era uma Olivetti Praxis 200! Naquela época um computador custava uns R$ 1800,00 e precisa de uns R$ 400,00 para comprar uma impressora HP Deskjet. Era bem melhor ter uma máquina de escrever...

Enquanto a fita de uma Remington ou similar, totalmente mecânica custava em média R$ 0,20 e poderia ser comprada em qualquer papelaria o instrumento que fazia a máquina eletrônica escrever custava uns R$ 6,00 e só era encontrada em algumas lojas em Maceió.

Não adiantava a máquina de escrever estava com os dias contados mesmo. As médias empresas, os professores do ensino fundamental e médio já poderiam adquirir seus Pentium III de 100 Mhz com 32 MB de RAM e HD's de 100 MB e isso não tinha volta. Hoje como Administrador de Empresas vejo que a Olivetti sofreu do que chamamos de miopia de marketing, focou no produto melhorando e modernizando as máquinas de escrever sem levar em consideração que as pessoas desejavam adquirir computadores, teria sido melhor associar-se a uma indústria e lançar PC's com sua marca... Será? Isto é pra outra postagem mas o erro da Olivetti foi por aí.

O fato é que as relações das pessoas, mais precisamente dos jovens com a máquina de escrever era bem diferente do que se estabelece hoje com os computadores.

Em casa tenho 3 pcs, um desktop, um notebook e um netbook e meu filho de quase 9 anos tem acesso a todos, logicamente com a moderação necessária, ele não passa dias ou horas no PC. Ele escreve trabalhos, pesquisa na internet. Não tem Orkut nem Facebook a verdade é que essas redes sociais deveria lançar uma versão infantil com acesso mais voltado para esse público. Por enquanto lá em casa nada de rede social virtual para minhas crianças! Também não os estimulo não vivemos acessando Orkut e Facebook frequentemente, só quando precisamos ver fotos dos primos distantes, fazemos isso juntos!

note samsung

O fato é que a tecnologia da máquina de escrever era distante às pessoas enquanto o computador pode ser utilizado por todos! Embora mais complexo por depender de partes física e lógica e ainda que mais frágil é possível toda criança desenvolver alguma atividade lúdica no PC enquanto que na máquina de escrever somente os bem alfabetizados e portadores de certificado!

Quase não existiam cursos de datilografia a distância, somente os do Instituto Universal Brasileiro mas você tinha que ter a tal máquina. Com o PC não, você compra um cd rom na banca de revista e pode usar uma lan house!

terça-feira, 1 de novembro de 2011

O futuro da Laje

Estará o futuro de São José da Laje entregue em mãos duvidosas e sem lastro moral para dizerem-se: “Esperança dos lajenses?”

 

Dia 30 de novembro completarei 2 anos que não estou dia a dia na minha São José da Laje.

Lutei bastante mas tive que buscar minha família e hoje estamos juntos, todos aqui em Colônia Leopoldina.

Foi uma mudança e tanto!

Mas sempre que volto a Laje para visitar meus pais – diga-se quase todos os fins de semana – tenho a sensação de estar numa cidade estranha do ponto de vista que começo a ver a Laje com os olhos de quem está de fora e me pergunto se não fui covarde por não fazer algo pela minha terra.

Sou dos anos 80 e na minha época fazer tudo para não prejudicar ou não se prejudicar era sinônimo de cidadania, hoje este conceito mudou bastante.

Quando penso em inscrever-me num concurso público avalio se tenho condições de me submeter ao processo avaliativo. Muita gente que conheço faz isso. Checa-se a escolaridade exigida, os conhecimentos necessários para obter sucesso na prova, as devidas habilitações legais, etc.

No entanto a regra acima não se aplica a imersão na política. Nesta o problema não é a avaliação e sim o que se avalia.

Loucura, vejo essa gente se dizendo representante da juventude lajense… Uma juventude irresponsável que nunca cresceu? E o pior é que essa gente vem com um marketing incrível querendo ocupar um lugar na Câmara de Vereadores, logo lá, onde deveriam estar representantes das melhores mentes lajenses.

Tanta gente boa na Laje e nós aceitaremos ser representados por gente irresponsável?

“Um dia perguntei a um amigo recém eleito vereador quais seriam seus projetos para os próximos 4 anos? Ele disse que ia aprendendo depois, pegando jeito.”

Em São José da Laje conheci muita gente boa, Professores, Médicos, Operários da Serra Grande, Alunos incríveis que estudaram comigo nas escolas lajenses, Servidores Públicos… Durante o tempo que trabalhei na Prefeitura, de 1999 a 2005 vi muita gente honesta, decente, Agentes de Saúde dotados de senso cívico e de um querer fazer pelo bem dos outros que ia além da esperança salarial do fim do mês. Eu tive colegas incríveis durante o tempo que trabalhei na Laje!

O que dói é não saber a resposta para uma simples pergunta: Como é que permitimos que os melhores cidadãos lajenses afastem-se da vida política de nossa cidade?

Que mecanismos ideológicos são estes que afastam os melhores cidadãos das coisas da cidade?

Talvez sejamos um exemplo da educação introspectiva de fins do século XX, e estes mais recentes, forjados ou mais suscetíveis aos avanços da educação do século XXI são os que conseguem pensar em nos fazer acreditar no que nem eles mesmo acreditam, que são capazes de trazer algum ganho social a comunidade lajense!

Mas tem uma explicação para tudo: A baixa estima!

E a baixa estima será assunto de um próximo post!