terça-feira, 24 de julho de 2012

Democracia Usurpada

Como um país que almeja tornar-se uma democracia moderna permite que seus cidadãos em pleno século XXI gozem de condições sociais tão humilhantes e um sistema educacional tão pobre quanto opressor?

Faz menos de 4 anos que numa viagem entre União dos Palmares e São José da Laje escutei dois senhores conversando sobre seus filhos. Um deles disse que seu caçula já “havia tirado seus documentos” na última eleição enquanto o outro argumentava dizendo que o seu tiraria nesta. Era véspera de eleição municipal, em pleno 2008.

Atualmente, 4 anos depois quase nada mudou. Nem poderia em tão pouco tempo.

O problema é que eu ingressei aos 7 anos de idade no sistema público de ensino em 1988 e em 2001 ingressei na Universidade a cursar a Licenciatura em História. Nas disciplinas ligadas a área de educação naturais no curso pode-se perceber que nossos dirigentes tem um plano terrível e  promissor  de “imbecialização” da população brasileira. No único intuito de manter a dominação da minoria sobre a imensa maioria dos brasileiros.

O pior é que quando contrariando todos entraves sociais, econômicos e políticos um integrante da classe dominada, um excluído social dos melhores serviços públicos e privados postos a serviço da sociedade brasileira, que pode pagar ou requerer seus direitos, insurge e aparece, fazendo parte de nossa classe política dirigente, contamina-se, trai seus pares, esquece de sua existência de exclusão social e política até então e passa a agir e adotar uma ética semelhante a da classe que tanto lhe usurpara a ascensão social e por assim dizer econômica.

Os Direitos Sociais e por conseguinte Humanos das classes sociais menos favorecidas são postos de lado a cada legislatura que se inicia, salvo raras exceções mas lembrados em cada palanque que se levanta nas campanhas que as antecedem.

Os discursos, os slogans, as cores, as paródias ou modernamente os “jingles” são a cara de uma propaganda nojenta, mentirosa, imunda e digna tão somente de análises humorísticas.

São em alguns casos pessoas conservadoras anunciando-se revolucionárias, mentirosas esbravejando-se como dignas de crédito e os “maiores absurdos” são os que se dizem competentes.

Adjetivos como credibilidade, competência, eficiência e honestidade são empregados genericamente aliados a nomes de candidatos no intuito de atrelarem-se a esses rótulos, mesmo que o conteúdo seja tanto mais inversamente proporcional.

Outros apresentam planos de governo que estão longe de serem um planejamento de como vão dirigir os municípios, porque eles mesmos não o sabem. A intenção não é esta. Possivelmente necessitam apenas preencher algum requisito da justiça eleitoral.

As músicas que são escolhidas pelos candidatos são temas conhecidos do povão, da massa de manobra e eleitora de inelegíveis.  O problema não são as paródias que eu também acho bastante cômicas, o problema é o que se atesta com isso: que música ruim, literatura ruim, cultura usurpada é só o começo, é a porta de entrada pra outras coisas que não prestam virem a reboque.

Os números escolhidos pelos candidatos e suas legendas são a assinatura final do emitente da mensagem, direcionada a um público de eleitores quase inocentes. São sequencias numéricas que induzem o eleitor a votar mecanicamente na urna eletrônica, mais voltados a induzir do que a facilitar o voto.

A elite política mesmo nos pequenos municípios não abre mão de exercer o poder, sabendo que diretamente não se legitima o exerce por meio de representantes das classes dominadas, os quais uma vez cooptados e eleitos têm suas necessidades históricas saciadas com os benefícios do poder político e esquecem os anos de aflição, consequentemente seus pares continuam aglomerando-se em filas no atendimento médico, odontológico, tendo as piores escolas, as piores estradas e os piores meios de comunicação e transporte.

Por isso vivemos uma Democracia Usurpada, roubada na sua essência. Uma democracia cantada e cantarolada mas falsa porque não existem eleições, o que existem são referendos, onde os dominadores escolhem e os dominados referendam a escolha deles. Tudo num plano perfeito de dominação social que inclui negligência na formação dos professores, na existência de boas escolas, em meios de comunicação que apaziguam a população, deixando-a dócil e insensível a situação social do país, não é a toa que todos os programas do domingo são em sua essência cópias dos demais – são apenas adestradores da massa.

Você não concorda? Então, sinceramente você acredita mesmo que nos próximos 4 anos, a partir de 1º de janeiro de 2013 haverá uma educação de qualidade no seu município? Que poderá realizar uma consulta médica no dia que precisar? Que na sua cidade você vai conseguir um tratamento odontológico no posto de saúde do bairro?

Se você acredita… Seria excelente que meu descrédito nisso fosse realidade mas…

 

 

 

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